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Ectoplasma (04/10/2010)

O procedimento de ectoplasma é feito com o intuito único de DOAR energia da melhor qualidade possível a uma pessoa, isto é, estimular e alimentar o espírito de uma matéria já fragilizada, buscando fortalecê-la e fazendo-a reagir, bem como desestimulando e combatendo o mal que a atinge. Portanto, o fluido de energia deve ser unidirecional exclusivamente, do doador para o necessitado, receptor.

Imaginemos agora a seguinte situação, duas células de nosso corpo, separadas por membranas, através das quais há uma diferença de potencial elétrico, ou seja, uma diferença entre as cargas iônicas, positivas e negativas. Os íons são de dois tipos, basicamente, ou seja, os cátions (de carga positiva) e os ânions (de carga negativa). Essa diferença de potencial favorece a passagem de cargas positivas, opondo-se às transferências de cargas negativas. Esse tipo de transporte ocorre de forma passiva e natural e sem a necessidade de dispêndio de energia pela célula. O transporte ativo de moléculas ou cargas exige um consumo de energia considerável, geralmente feito através dos fluxos inversos aos do transporte passivo. 

Mas, qual a relação de tudo isso com o ectoplasma? Da mesma maneira que cargas positivas fluem de uma célula “mais positiva” para uma “menos positiva”, em um ectoplasma a energia deve fluir do doador (com energias positivas suficientes para tal) para o consulente (o que está necessitando dessa energia). Se o doador estiver mais fragilizado que o receptor, ou mesmo, na mesma linha de fragilidade, por mais que este último já não tenha tanta energia ele acabará por “doar” parte de sua carga àquele que deveria ser o doador, esgotando ainda mais sua já diminuta capacidade energética de forma até comprometedora. 

Em alguns casos, mesmo que o Médium doador tenha a boa vontade e o real interesse em contribuir doando energias ao consulente, se não tiver a carga necessária e suficiente para uma doação passiva através de uma ação direta, poderia fazer uso de uma doação pelo principio ativo, mentalizando o consulente e o problema que o atinge. Porém, se este Médium doador não tem energia suficiente para doar de forma passiva, teria para doar de forma “ativa”? Na verdade não teria, poderia até tentar, mas sua força não seria suficiente para vencer o fluxo contrário e na melhor das hipóteses não haveria fluxo, pois conseguiria apenas impedir que receba energia através do fluxo contrário, daquele que a deveria estar recebendo. Isto não é de forma nenhuma recomendável, pois ao fazer isso irá consumir parte do seu “estoque energético”, que estando aquém do mínimo necessário, o enfraquecerá ainda mais.

Deve necessariamente haver um limite mínimo de energia com o qual o Médium doador deve estar para que se possa garantir aquele fluxo unidirecional. Se o Médium estiver com sua carga energética abaixo desse “valor” mínimo, ou mesmo se estiver repleto de cargas negativas, ao invés de transmitir luz (energia positiva) ao consulente debilitado, irá retirá-la dele e não só estará prejudicando todo o intuito do ectoplasma, como fragilizando ainda mais o consulente.

Quando uma Entidade pede que os Médiuns realizem ectoplasma em um consulente adoentado, a seleção dos doadores deve ser rígida e bem minuciosa. É inadmissível que um consulente já debilitado ou mesmo carregado negativamente, saia da consulta ou dos atendimentos Umbandista em geral, o que inclui o descarrego, pior do que entrou, portanto os Médiuns devem ser bem selecionados. Antes disto, o próprio Médium deve ter a noção de suas condições físicas, mentais e inclusive emocionais, pois todas estas condições afetam e chegam a bloquear a capacidade de concentração e principalmente a fluidez e a qualidade da energia doada. 

O Médium deve ter plena convicção da seriedade deste procedimento, o bom senso e responsabilidade de entender-se em boas condições, pois o efeito pode ser danoso para os dois lados. E se este entendimento não for claro deve procurar uma Entidade para que ela lhe diga. 

Existe ainda uma postura bem mais preocupante, que se trata do Médium que não aplica nenhum dos princípios e orientações da Umbanda no seu dia-a-dia, não se concentra e nem busca assimilar as mensagens das Entidades, que em alguns casos podem ser úteis ou mesmo dirigidas a ele. E o mais grave, permite que seu ego se inflame e assuma seus atos de forma irresponsável e inconseqüente. 

Seria absurdo e irreal dizer que um Médium chamado a realizar um ectoplasma, se aproveitaria da situação para retirar energia do um consulente já fragilizado ou de qualquer outro. Porém, podem ocorrer casos em que o Médium chamado para realizar um ectoplasma, se coloque de forma displicente e simule estar fazendo, ou seja, apenas se põe a frente do consulente, sem a menor concentração ou qualquer mínima emanação ou mesmo vontade de fazê-lo. Nesse caso, o consulente é seriamente prejudicado, pois deixa de receber energia muitas vezes necessária para sua revitalização, e por outro lado interrompe a troca de fluido que o seu espírito estava preparado para receber e dividir com sua matéria. É como se abrisse uma porta e nada do que esta sendo ansiosamente esperado entrasse. Por outro lado, a porta permanece aberta e como não existe nada fluindo forçando uma entrada, a energia já recebida e mesmo a pouca existente, podem se perder. Desta forma perde-se também todo o propósito do ectoplasma, o que pode não acrescentar nada ao consulente, que sairia com energia aquém do necessário ou até pior do que chegou. É neste momento que a seriedade, a responsabilidade e comprometimento do Médium têm que prevalecer. 

E para que um Médium mantenha esse seu “nível basal de energias positivas” dentro do esperado, deve estar consciente do propósito desta doação, bem como de suas conseqüências e resultados. Deve estar firme, totalmente envolvido e concentrado de forma sincera e verdadeira, durante a abertura dos trabalhos o que inclui estar munido de boa energia, bons fluidos, pensamentos bons e positivos. Realizar descarrego periodicamente, fazer os banhos de limpeza e defesa, firmar suas velas antes dos trabalhos e participar com assiduidade dos trabalhos realizados pelo Templo em oferta aos Orixás, estreitando assim os laços que o unirá de forma mais consistente à corrente da Casa. Estas são práticas que tornarão maior sua firmeza e, além disso, todos devem, principalmente, pôr em prática no seu dia-a-dia os princípios da Umbanda e as Leis de Oxalá.

Apesar da premente necessidade destas posturas e práticas nos procedimentos de ectoplasmas e nos trabalhos médicos e curas espirituais, elas devem ser extensivas a todo tipo de atividade espiritual, seja nas Giras de quarta-feira ou nos trabalhos da mesa branca. O Médium dever ter uma preocupação constante com a preservação da saúde como um todo, física, mental, emocional e espiritual, o que contribuiria com uma melhor qualidade dos trabalhos, atingindo de forma eficaz todos os seus objetivos, além de propiciar uma troca forte, sadia e positiva de energia, revigorando todos os presentes. 

É durante a abertura que as Entidades e Orixás se aproximam da Corrente, sendo este o momento em que se forma um grande fluxo de energia correndo por todo o Templo. Em alguns momentos podem infiltrar-se nesse fluxo fluídico energias negativas vindas de espíritos zombeteiros e malfazejos, dotados de cargas negativas, contrárias, que visam apenas atrapalhar a harmonia e a firmeza dos trabalhos, mas que são bloqueados e expelidos para fora do ambiente, sem que possam interferir em nada. Porém, esses espíritos somente conseguem estas infiltrações, agindo sobre os Médiuns ou pessoas, que estiverem desconcentradas e sem a firmeza necessária, condizente com um trabalho de Umbanda, pois estes Médiuns ou pessoas os estimulam a isto, servindo como uma brecha, uma abertura que favorece sua intrusão. 

Aquele que se mantiver firme e concentrado durante o trabalho, não só estará isento destes ataques por meio desses espíritos como, ao não dar espaço a eles, irá enfraquecê-los, afastando-os do Templo e conseqüentemente afastando os demais, destinando o “espaço” exclusivamente aos espíritos de luz. Aquele que pratica a Umbanda e que guarda na mente os seus princípios básicos, está mais suscetível a sofrer influências de espíritos de toda ordem, tanto oriundos de planos de luz quanto das trevas, por estar mais propício, em razão de um maior desenvolvimento e aprimoramento de sua sensitividade e sensibilidade. Sendo assim, a realização periódica de descarregos, se torna essencial para a manutenção do “nível basal” de energia, bem como de forma mais compatível e apropriada, aceitar trocas positivas de energias com pessoas “do bem”.

Além do mais, ser Umbandista não consiste apenas em participar dos trabalhos de quarta-feira, mas sim fazer uso no dia-a-dia dos conceitos que a religião lhe ensina. O amor, a caridade, a compaixão, a irmandade, a humildade, a perseverança e tudo aquilo mais que as Entidades lhe ensinam devem ser postos em prática em cada minuto de sua vida. Ao seguir as Leis de Oxalá, você se mantém forte o suficiente para encarar cada obstáculo que lhe aparecer e ainda poderá ajudar um irmão que estiver em busca de auxílio. Portanto ser Umbandista é viver intensamente o que se aprende, é amar não importa quem, é ajudar, é exercer a caridade, é manter-se forte perante as adversidades, é ter respeito pelos Orixás, pelas Entidades, pela Casa, pela Babá, por você e acima de tudo por Oxalá. 

Assim, e somente assim, acumulará forças e energias suficientes e muito acima do “nível basal”, podendo irradiá-la com domínio, maestria e a dignidade de um verdadeiro Umbandista, ou seja, sem interesse, sem vaidade, puramente em nome da caridade e do amor ao próximo em busca de um mundo cada vez mais espiritualizado. Ter energia suficiente e concentração para realizar um ectoplasma é um dos sinais que o torna um Umbandista de verdade. Pratique, sempre, as Leis de Oxalá. Pratique a verdadeira Umbanda. 

Texto baseado em mensagem proferida por Dr. Fritz em 04/10/2010
Redigido por Ricardo Moreno