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Doença e saúde: as duas faces de uma mesma moeda

Quando entramos no campo da doença, logo se aproximam questionamentos e concepções muitas vezes equivocados. Colocamos a doença como oposta à saúde, e queremos a qualquer custo nos livrar de tal incômodo para voltarmos ao estado de equilíbrio tão almejado. Sentimos ódio, revolta, mágoa, tristeza, desesperança ao nos depararmos com o “desequilíbrio”, seja ele orgânico, emocional, mental. Sentimos qualquer tipo de sofrimento, dor, doença como algo que impede o nosso crescimento, como algo que atrapalha o desenrolar de nossa trajetória, como realmente um transtorno.

 Se o sofrimento e a doença existem desde que conhecemos a história do homem nesse plano e se continuam existindo, algum sentido eles devem ter. Já paramos para refletir sobre isso?

Se pensarmos, por exemplo, no que acontece no caso do estresse podemos ter uma melhor compreensão desse processo. Frente a alguma ameaça (real ou imaginária) nosso corpo produz hormônios para que sejamos capazes de enfrentar tal situação, ou seja, para que possamos responder aos desafios que nos são apresentados. Esse mecanismo tem relação com a necessidade de adaptação de nosso organismo e existe desde os primórdios de nossa história com a finalidade de sobrevivência (luta ou fuga). O estresse possui diversas fases, e em sua primeira fase ele é extremamente positivo, uma vez que o organismo produz adrenalina para responder aos estímulos externos ou internos e tal hormônio é o responsável por nossa motivação, ânimo, criatividade e produtividade. O problema do estresse é quando ele se prolonga por muito tempo e o indivíduo ultrapassa seus limites para responder a demanda e não consegue eliminar os fatores estressantes de seu meio, esgotando sua capacidade de adaptação, produzindo em maior quantidade cortisol influenciando em sua resistência e imunidade. Da mesma forma quando estamos em uma crise, seja ela financeira, amorosa, pessoal, entramos em um processo psíquico de desorganização para que uma nova organização possa emergir trazendo com ela novas formas de pensar, sentir e se comportar.

Nesses exemplos fica claro que para que haja progresso há a necessidade de obstáculos e desafios, ou seja, para encontrarmos nossa paz precisamos passar pelo caos.

Einstein já dizia: “a crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar ‘superado’. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência... Sem crise não há desafios; sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um”.

Portanto, por que a concepção de doença sendo oposta à saúde é equivocada?

Pelo simples fato de polarizarmos saúde de um lado; doença de outro: ou estamos doentes ou estamos saudáveis. Essa visão é bastante imatura do ponto de vista espiritual. Nosso Pai Omulu/Obaluaê vem para nos ensinar tanto a esse respeito. Começando por sua história, somente a partir de suas chagas é que Ele se tornou um verdadeiro curandeiro da alma, ou seja, só porque Ele era ferido e vivia constantemente com a sua dor foi que conseguiu desenvolver a capacidade de curar as feridas dos outros, hoje Ele é o Mestre na cura da alma. Por que será que em sua lenda saúde e doença estão juntos? Qual a mensagem que Ele nos traz?

Doença e saúde; saúde e doença. Será que algum de nós, aqui neste plano, conseguimos viver toda uma encarnação sem algum tipo de doença? Seja ela um simples resfriado, ou mesmo um câncer, todos nós já passamos ou passaremos por fases de adoecimento. E o que será que isso tem a ver com nossa evolução? Podemos fechar os olhos e lidar com elas como se fossem nossas inimigas, como se nosso corpo se voltasse contra nós mesmos e atrapalhasse o rumo de nossas jornadas tão iluminadas. Ou, podemos compreender que nossos corpos e mentes são nossos maiores aliados, e que podemos confiar que se eles estão nos trazendo sinais temos que recebê-los e compreendê-los como mensagens preciosas para nosso crescimento.

O que nosso corpo nos diz? Que mensagem minha própria alma quer me passar? O que preciso mudar em mim mesmo? O que eu estou fazendo ou deixando de fazer que contradiz a minha própria verdade? A capacidade de transmutar, eis uma palavra-chave de nosso Pai Omulu/Obaluaê: transformação. E como será possível nos transformar? A partir do amor? Sim, o amor é uma grande (talvez a mais poderosa) arma de transformação, porém infelizmente não estamos ainda em um estado vibracional em que podemos compreender e trabalhar em toda a sua graça, mas estamos em um plano terrestre sujeitos a todo e qualquer tipo de obstáculo que precisamos para nossa evolução. A doença se faz necessária nesse momento ainda para todos nós (existem planos em que não há mais a necessidade de doenças), portanto, podemos aceitar essa realidade e nos esforçar para aprendermos com o que ela nos traz e nos aproveitarmos de todo o seu potencial oculto de crescimento, ou podemos rejeitá-la de diversas formas.

Procuramos orientações com profissionais, amigos, familiares, mentores de luz, instituições diversas, porém nos esquecemos de que as maiores informações sobre nós mesmos residem em mais ninguém se não em nós mesmos. Esquecemo-nos de nos considerar como alguém que carrega em si os símbolos de nossas transformações. As doenças são uma das vias de expressão desses símbolos. Porém, para realmente nos transformar, deixarmos que a doença se transmute em nossa cura espiritual temos que estar abertos a esse processo, temos o livre-arbítrio para tanto. Nada acontece se não queremos que aconteça, nós estipulamos os limites para nossas mudanças. Dessa forma, também existem diversas formas de lidar com as doenças, a depender da conduta de quem adoece e tal conduta dependerá do nível de consciência que cada um já adquiriu sobre o processo de adoecimento.

Aceitar que o adoecimento faz parte de um ciclo natural da vida terrena faz com que se abra a possibilidade de enxergarmos para além da dor, da angústia, do medo e de todas as outras reações imediatas do adoecimento. A perspectiva espiritual de que o espírito é contínuo, de que a morte diz respeito somente ao corpo físico e de que essa encarnação é apenas um capítulo dentro do livro de nossas vidas pode nos ajudar a vivenciar a doença de uma outra forma e com um diferente peso. É claro que isso não significa não sofrermos ou não termos momentos de desespero e tristeza, porém também poderão ser possíveis momentos de compreensão e tranquilidade uma vez que estamos cumprindo nossas missões e que temos a certeza de não estarmos sozinhos nesse processo. Existe sim um motivo para tudo o que acontece conosco, cabe a nós aceitarmos a realidade que não controlamos, mas também de nos responsabilizarmos por aquilo que nós causamos, por nossas escolhas diárias.

O fato de nos conscientizarmos e adotarmos uma postura de integração da doença como parte do ciclo natural de nossas vidas não garante que atingiremos um grau de saúde física ou reestabelecimento de nosso equilíbrio corporal. Aqui cabe um esclarecimento. A cura espiritual difere da cura do corpo, elas podem sim caminhar juntas, mas não necessariamente. A cura espiritual inclusive pode ser atingida através do adoecimento físico.

Precisamos também considerar fatores como vivências de vidas passadas, resgates, carmas e até mesmo necessidades espirituais em conviver com uma doença em uma determinada encarnação. Ter uma doença não equivale a nos sentirmos doentes, podemos nos sentir saudáveis em um corpo acometido por alguma alteração orgânica, pois o que sentimos em relação a nós mesmos é um estado subjetivo, espiritual e não necessariamente condiz com o que se passa em nosso corpo material. Podemos estar acometidos por alguma doença corporal e nos sentirmos em paz, em equilíbrio, isso por entendermos e vivenciarmos a saúde em seu aspecto mais amplo. Como já mencionado: doença e saúde podem sim caminhar juntas, inclusive a doença ser uma fase ou estágio da própria saúde.

Finalizo esse texto com a proposta de nos escutarmos melhor, de prestarmos mais atenção às mensagens de nosso próprio corpo, de pararmos de lutar contra nós mesmos e adotarmos uma postura mais compreensiva e interpretativa dos sinais que o nosso próprio Eu muito sabiamente nos transmite.

Mensagem escrita por Isadora Di Natale Nobre, inspirada pelos ensinamentos da Mentora Dra. Catarina