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Breves esclarecimentos a respeito da Gira de Cura realizada no TEUCPV

INTRODUÇÃO

Nas giras de Cura realizadas no nosso Templo, não irão trabalhar apenas Entidades médicas, mas também aquelas ligadas à cura. É de extrema importância diferenciar a origem e a característica predominante de cada uma das Entidades envolvidas, para que se tenha o real entendimento do valor dessa gira, de sua intensidade e de seu verdadeiro alcance nos sentimentos, sensações e necessidades dos consulentes.

Falando primeiramente das Entidades, vamos tentar enteder a origem de cada Entidade, sua fonte de conhecimento e seus princípios de conduta e trabalho de energização, revitalização ou cura espiritual, para assim entendermos de que maneira isso irá atingir da forma mais eficiente os consulentes que à nossa Casa vem em busca de ajuda, auxílio, acalento e até mesmo a cura para seus males físicos e de espírito.

Vale frisar que as Entidades ligadas à cura pelo tratamento espiritual, não são necessariamente Entidades médicas, mas sim espíritos que já trazem com eles ou mesmo quando encarnados adquiriram e exerceram conhecimentos e experiências ligados à benzer e curar doenças, ao amenizar ou curar sintomas e efeitos de males comuns, tais como dores, febre, diarréia etc., isto é, nos cuidados e atenção à saúde. Cada um desses “tipos” de Entidades utilizaram de diferentes fontes de trabalho dentro de suas especialidades, como reza, ervas, estudos, entre outros, para atender ao pedido dos que estavam sofrendo.

ENTIDADES MÉDICAS

As Entidades Médicas em si, são espíritos que quando encarnados estudaram Medicina, estudaram a anatomia humana, sua fisiologia, trataram doenças, etc, ou seja, foram médicos de profissão, de estudo e formação. Por diversas encarnações, trabalharam em ambiente médico-hospitalar ou mesmo no atendimento domiciliar, acumulando conhecimentos e experiências voltadas à cura da maneira mais próxima e direta possível. Estudaram para isso, leram e escreveram livros, operaram, realizaram testes e experimentos voltados à pesquisa científica, sempre visando a evolução da Medicina, da cura e da ajuda ao próximo, enaltecidos por um dos mais belos princípios de Oxalá e um dos mais fortes conceitos da Umbanda, a Caridade

Ao retornarem ao plano espiritual, esses espíritos acumularam conhecimentos adquiridos na vida terrena, os quais, agora como espírito, serão aperfeiçoados e interligados com conhecimentos ligados a cura espiritual. Sendo assim, essas Entidades, quando no plano médico possuem uma visão muito mais ampla da doença e do paciente, avaliando inclusive seu estado emocional, espiritual, suas cargas energéticas, tratando ambos os lados acometidos, ou seja, tanto o físico quanto o espiritual.

 

Há, porém, ainda na Linha Médica, espíritos que quando encarnados utilizaram dos conhecimentos de Medicina e do corpo humano com intuito de maleficência e não de benevolênica. Assim como os espíritos acima citados, esses também estudaram a Medicina e se formaram nessa profissão, porém utilizaram desses conhecimentos ora para interesses próprios, ora em condutas antagônicas à caridade e evolução do ser humano como espírito. Em outras palavras, esses espíritos foram contrários à visão médica de dar alento à vida e utilizaram de suas experiênicas para, por exemplo, provocar abortos, criar fórmulas que deterioram até de forma irreversível a saúde e provocam o envenenamento, a intoxicação, desenvolvem drogas que viciam a matéria e enfraquecem o espírito. Estes profissionais do mal acabam, ao desencarnarem, por pagar de maneira implacável todos os males cometidos em terra e, na forma de Exus, dotados de uma energia sombria ficam presos ao fosso das trevas do Umbral em penitência e no resgate dos sofrimentos que impuseram a seus semelhantes e a si próprio. São os Exus Médicos, que apesar dos prejuízos que causaram a humanidade, possuem o dom da medicina e da cura. Ao adentrar nas trevas do Umbral, o espírito só se livrará da penitência quando de forma sincera e verdadeiramente assumir seus erros, assimilar a lição que lhe está sendo passada, até que tenha a permissão de Oxalá para uma segunda chance, ou seja, o merecimento para uma nova oportunidade de cumprimento da missão que lhe foi atribuída e usando de seus conhecimentos, levar a cura e o bem estar aos necessitados. 

Junto a estes estão também os curandeiros, benzedores e feiticeiros do mal que da mesma forma dotados da habilidade de atingir o físico e o espírito de indefesos, provocam a doença e o flagelo, contrariando a missão de, através de seus atributos de cura, suprir a carência da saúde e do desequilíbrio físico. Muitos destes após décadas de penitência e sofrimento em densas trevas do Umbral, se oferecem no apelo a misericórdia de Oxalá à prestar auxílio à humanidade na faculdade de seus dotes de cura e passam a atuar, mesmo como Exus, em pró do bem e da saúde, procurando redimir-se de suas falhas e erros, buscando de forma sincera reunir os créditos que os guiará pelo caminho da evolução espiritual. 

O espírito-médico, curadores, benzedores e feiticeiros, então podem tanto desfrutar dessa nova oportunidade como um encarnado ou atuando no plano espiritual, assim como for permitido e determinado por Oxalá. Se lhe for concebida a permissão para atuação no plano espiritual, o espírito poderá mesmo na forma de um Exu, juntar-se no auxílio ou na atuação direta das correntes de trabalhos com a cura, em parceria com a Linha de Direita, mesmo agindo através da Linha de Esquerda, sendo orientado e supervisionado por outras Entidades médicas de Direita e por Exus-médicos, esses mais evoluídos e experientes o suficiente para terem recebido de Oxalá a missão de comandar ou chefiar uma falange de Exus-Médicos. Esse é o caso, por exemplo, do Exu Zé Pelintra.

CABOCLOS CURANDEIROS

Saindo um pouco da Linha Médica, dos espíritos que adquiriram conhecimentos através do estudo direto da medicina, do corpo humano e de suas doenças, temos Entidades que dotados da experiência e dotes adquiridos ao longo de muitas vidas na convivência próxima com o elemento natureza e seus recursos de sobrevivência e cura, deixados no mundo por Oxalá, lidaram e viveram o contato estreito com a cura e/ou com o acalento aos sintomas de males muitas vezes desconhecidos, trataram enfermos em estados graves, conviveram com diversos tipos de doenças e aflições, utilizando somente de meios “naturais” e da evocação através de seus rituais, à espíritos de maior luz e conhecimento, para trabalharem.

Alguns Caboclos (sejam eles da Linha de Xangô, Ogum ou Oxóssi), por exemplo, acumularam em suas encarnações conhecimentos sobre o uso de ervas no tratamento ou cura de doenças, ou mesmo com o intuito de amenizar alguns sintomas; tratam-se dos caboclos curandeiros. São espíritos que quando encarnados tiveram contato direto com a natureza e sob intuição espiritual souberam desfrutar do legado criado por Oxalá e ao Homem oferecido, o qual foi pelo ser humano nomeado como “Mãe Natureza”. 

Da mata, da floresta, da Natureza, o Caboclo soube usufruir das folhas, sementes e frutos para cuidar, para robustecer a saúde e fortalecer o Homem para o dia-a-dia de trabalho, bem como para amenizar problemas de saúde ou até curar doenças dos membros de seu grupo, da sua e de outra comunidade ou mesmo tribo. Aprenderam então a usufruir de ervas e de fontes naturais para beneficiar os outros e se tornarem os Curandeiros do grupo. Daí vem os Caboclos Curandeiros. 

PRETOS-VELHOS BENZEDORES

De forma semelhante, alguns Pretos-Velhos utilizaram da reza para benzer pessoas doentes e através dessa benção amenizar dores e sofrimentos humanos (e até mesmo animais); são os Pretos-Velhos benzedores. No mais puro enaltecer da fé e da confiança na Força Maior que nosso mundo rege, esses espíritos, tanto quando encarnados, quanto agora no plano espiritual, conseguem emanar energia suficiente que possa, com a permissão de Oxalá, interferir na matéria lesada fortalecendo-a e recarregando o espírito do paciente com a luz branca de Oxalá.

Sem necessariamente ter conhecimentos sobre a anatomia e fisiologia humana, apenas com o uso da fé e de gestos simples, típicos de uma Entidade Preto-Velho, eles conseguem energizar e dar vigor ao paciente com aquilo que chamam de benção. Por vezes utiliza algum meio material para auxiliar a benção, como um galinho de arruda ou mesmo a fumaça de seus cachimbos. São também fortes no combate ao mal, chegando a limpar e reverter males com a eficiência da Esquerda, bem como bloquear o corpo contra demandas, inveja, e outras tendências nocivas através de suas mandingas. São competentes e incansáveis protetores das crianças, dos velhos e incapazes. 

Importante frisar que nem todos os Pretos-Velhos possuem essa faculdade de Benzer em pró da cura, da saúde. A benção é uma das características dessas Entidades, porém nem sempre ela é voltada à esse fim, mas também, por exemplo, a um gesto de respeito, de cumprimento, de despedida, de relação familiar entre filhos/netos com os pais/avós, condutas essas herdadas e intensificadas durante o período de encarnação na época da escravidão e da vida na senzala. Assim como essas benções tinham que ser simples o suficiente para que não chamasse a atenção dos Senhores das fazendas e capatazes de Senzala, nem dos feitores, os até então escravos aprenderam, mesmo que devido a uma imposição hierárquica da época, a realizar suas rezas, orações e rituais religiosos com a maior simplicidade e discrição possível, sem com isso perder a intensidade do momento, muito pelo contrario trouxeram mais vibração e força a seus apelos, condição esta que lhes foram dada em muitos casos pela capacidade de suportar o sofrimento e a dor.

Os Preto-Velhos Bezedores são exemplo de fé inigualável voltada à caridade da cura.

ORIS


Os oris são espíritos com um conhecimento mais ligado à energização e cura pelas práticas da cultura oriental e estão mais ligados ao cuidado do paciente, antes e pós tratamentos, na convalescência, dispensando atenção integral, são os ditos "enfermeiros espirituais". 

Entidades de extrema concentração e dedicação à atenção do paciente, prestimosos colaboradores, são espíritos que quando encarnados tiveram contato com a manutenção dos cuidados do paciente, orientados por espíritos de um conhecimento maior, o qual, junto com ele, dedica-se à cura.

OMULU E OBALUAÊ

Há ainda, os já conhecidos Omulu e Obaluaê, os quais, ao contrário dos demais acima citados, são Orixás e não Entidades.

O Orixá Omulú, figura sincretizada como um ser sob palhas por ter uma aparência deformada por doenças, está mais voltado à cura espiritual do que física, ou seja, ao assistir ao paciente, volta-se ao equilíbrio emocional, às doenças da mente, de cunho psicológico. Volta-se mais àquilo que seria a enfermidade e fragilidade do espírito e, trabalhando através de uma aliança entre Direita e Esquerda, combate os males que possam afligir o espírito, que causariam um acúmulo de enerigas negativas sobre o espírito. Traz o equilíbrio à vida material, nas necessidades de subsistência, como dinheiro, trabalho e moradia, de forma a trazer tranqüilidade ao espírito que se voltará aos interesses do plano superior. É o orientador, o condutor e apaziguador dos espíritos desencarnados, a quem podemos recorrer no encaminhamento daqueles que fizeram a passagem.

O Orixá Obaluaê, por sua vez, sincretizado sempre na companhia de um cão, o qual se apresenta lambendo as feridas que têm sobre o corpo, causadas pela lepra (e, supostamente, aliviando a dor e o incômodo), dá assistência ao paciente com um intuito maior de cura dos males físicos. Não tanto quanto Omulu, também trabalha com a aliança Direita-Esquerda, porém livrando o encarnado dos males físicos, oriundos principalmente de desequilíbrios emocionais e espirituais. Age através de uma energização mais voltada à limpeza direta da matéria, isto é, dos distúrbios orgânicos, do que do espírito ou do equilíbrio emocional.

Por essas semelhanças e características ora coincidentes, ora paralelas, ambos os Orixás são vistos e reverenciados juntos, sendo que após o Saravar de Omulu, o cumprimentos deve ser “Salve a força de Omulu” e após o de Obaluaê, “Atotô Obaluaê”.

Obs.: Vale frisar que nem todos os Caboclos são Curandeiros e nem todos os Pretos-Velhos são Benzedores; nem todos os Médiuns possuem Entidades Médicas, Caboclos Curandeiros, Preto-Velhos Benzedores ou Oris, porém todos possuem a capacidade de energização e revitalização física e espiritual desde que devidamente concentrados e em comunhão com os mentores do plano espiritual. 

RESPEITO, CONCENTRAÇÃO E SILÊNCIO


Não há nada que assuste, alerte ou mesmo ameace o mais valente ser humano, tanto quanto alguma doença, algum sintoma forte ou mesmo o risco da desencarnação. Qualquer espírito encarnado altera sua conduta e seus pensamentos do dia-a-dia frente a um mal que coloque em risco sua integridade física.

Por mais espiritualizado que possa ser o ser humano, frente a um mal físico que lhe aflija a matéria, mesmo que temporariamente, algo de diferente passa em seus pensamentos: “será um castigo?”, “será um aviso?”, “será o início do adeus?”... Evidentemente que não se fala aqui de um quadro gripal, de uma rinite alérgica, de uma alergia a algum produto químico, enfim, trata-se de doenças e afecções orgânicas mais danosas e intensas.

A Espiritualidade Umbandista se baseia no conceito de evolução através de aprendizados, sendo as doenças mais danosas e brutas à matéria um sinal de lição a ser passada, não somente pelo doente, mas também por outros que em vida o acompanham (marido/esposa, filhos, parentes, amigos próximos etc.). Mesmo doenças ditas “leves” têm o seu valor de aprendizado e uma relação com lições ao doente, mas não tão intensas quanto um câncer, uma paralisia, uma infertilidade, um vício em drogas, retardos mentais etc.

Nem todos os casos podem ser resolvidos por completo, um retardo mental, por exemplo, jamais será restaurado a um estilo de vida normal, até porque essa condição em que veio o encarnado tem o seu motivo, tem o seu valor de resgate e aprendizado, visando a evolução do espírito.

Porém, se por Oxalá for permitido, mesmo os casos gravíssimos ou ditos “terminais” por alguns médicos profissionais, podem ser revertidos, talvez não curados, mas amenizados o suficiente para que o espírito encarnado tenha uma nova chance de entender a mensagem, assumir e corrigir erros, aprender, cumprir missões e viver. 

Por esse poder e consequente responsabilidade em lidar com aquilo que recebe um imenso valor pelos encarnados, a saúde, as Entidades e Orixás ligados à cura merecem o mais sincero e venerador respeito que possa existir, principalmente em relação às Entidades Médicas.

Por tratar diretamente, e com maior conhecimento, tanto a matéria quanto o espírito, as Entidades Médicas ao se firmarem no plano espiritual e assumirem a missão de curar pelo plano superior, e não como encarnado, assumem também um posicionamento muito próximo de Oxalá, uma luz branca de suprema intensidade, sendo inferior apenas à da Força Vital Maior que nos rege. As Entidades Médicas tratam diretamente dos dois pontos que merecem maior valor pelo encarnado: o espírito e a saúde física. Sem um equilíbrio da matéria, o espírito deixa de ter seus pilares fortes e passa a enfraquecer-se, com um crescente risco de desabar, pois ele, como um encarnado, precisa da matéria para cumprir sua missão. E por outro lado para que uma matéria seja sadia e equilibrada no aspecto físico e emocional, necessita de um espírito maduro, firme e equilibrado, conscientes dos cuidados com a matéria que lhe foi cedida por Oxalá para seu aprimoramento na Terra enquanto encarnado. Sendo assim, ao tratar ambos os pontos citados, as Entidades precisam de uma concentração extrema para trabalhar, pois estarão agindo diretamente através de uma energização muito pura e intensa, que requer muita concentração por parte da Entidade. 

Para tal o ambiente deve ser o mais silencioso possível, não apenas para um melhor trabalho das Entidades Médicas e de Cura, mas também das demais Entidades e Orixás envolvidos na Gira. Esse silêncio é fundamental para que o consulente também se concentre ao receber o passe, a energização ou algum processo mais intenso. Aliás, não apenas no momento do atendimento o consulente deve manter-se concentrado e em silêncio, mas sim durante toda a Gira, para que sinta e receba com mais intensidade toda a energia que está fluindo sobre o templo. 

De maneira semelhante, todos os filhos de Santo devem mater-se em harmonia com o trabalho de cura, ou seja, focado mais do que nunca no objetivo da caridade, no auxílio ao próximo e no silêncio e concentração dignos de uma Gira de Cura.

Trata-se de uma gira diferente em que fluirá uma energia diferente, mais pura, vinda de uma proximidade maior de Oxalá. Aproveite, desfrute desse momento, mesmo que não tenha nenhuma queixa física, nenhum dor, nenhum incômodo. Sinta a energia das Linhas de Cura, assimile o poder e doação à caridade, vibre junto com Oxalá nesse momento.

Reverencie e respeite cada Entidade e Orixá que lá estiverem presentes, bem como o respeito ao Irmão de Fé em sua concentração e emanação dos fluidos, no auxílio à Entidade, mantenha-se concentrado durante a Gira e, em silêncio e oração, entre em harmonia com a energia da Casa e que assim seja.

Ricardo Moreno