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Iansã, Orixá das Chuvas, dos Ventos e dos Raios

Orixá feminino, senhora dos ventos, das tempestades, das tormentas e sua ação sobre a terra e o mar, regente dos efeitos atmosféricos e climáticos. Com a força dos ventos faz tudo balançar, sacudir em todos os sentidos e direções, provoca o movimento, a transformação, a renovação do que é natureza e do que é obra do homem. Sua essência é o movimento e o fogo, é o Orixá do raio, da eletricidade. É a energia viva, pulsante, vibrante.

Na África era cultuada com o nome de Oiá. O número 9 está ligado na origem de seu nome Iansã. Diz uma lenda que Oiá lamentava-se de não ter filhos e consultando um Babalaô, o mesmo lhe disse que ela não seguia suas proibições alimentares, fazendo uso de carne de carneiro quando deveria comer a de cabra. O mesmo a aconselhou fazer oferendas, entre as quais deveria haver um tecido vermelho, que mais tarde serviria para confeccionar as vestimentas dos Eguns. Tendo cumprido essa obrigação, Oiá tornou-se mãe de nove crianças, o que se exprime em Iorubá pela frase: ”Iyá Omo mesan”, origem de seu nome Iansã! Os dois nomes, Iansã e Oiá são aspectos da mesma divindade.

Ela dá direção aos espíritos encarnados e desencarnados, quando estes se encontram perdidos, negativos, desequilibrados e redireciona-os dando novo sentido de vida, transformando e renovando a sua fé, abrindo novos caminhos para sua evolução, sacudindo-os e os obrigando a refletir, a dar movimentos a sua existência. Promove mudanças íntimas, refletidas nas ações externas, direcionando para a luz e a visão do melhor caminho, na distinção do bem e do mal, pressentindo e se antecipando, tirando todo proveito do que é bom e evitando o que é ruim, não se deixando enganar, se iludir e se atingidos ou abalados reagindo rapidamente.

Ela guia os espíritos desencarnados, chamados de eguns (espíritos não desenvolvidos que vagam pela terra) junto com Obaluaê/Omolu, portanto é chamada de senhora dos cemitérios.

Orixá da renovação, com seu magnetismo aéreo nos dá sustentação, ordenação, equilíbrio, segurança, coragem, ousadia e visão. Promove um arejamento, uma revolução mental forçando a uma alteração de nosso emocional, revolve nossos pensamentos e ideias enraizadas, temores, medos e preconceitos, transforma e induz nossa mente a uma visão clara, sem barreiras, nos dando coragem para a ação, a reação, argumentação e para o estabelecimento da justiça, colocando as vista os injustos e se colocando na defesa dos injustiçados, nos credenciando a um direcionamento na evolução e fortalecendo de nossos sentimentos, aguçando nossos sentidos e promovendo o equilíbrio de nosso espírito.

Quando nos sentimos perdidos, sem saber que rumo tomar, devemos pedir direcionamento à Iansã, nos negócios difíceis de resolver, nos relacionamentos sentimentais, em todos os campos onde possamos estar em dúvida e que precisamos de um direcionamento correto, mesmo que este por algum motivo não nos favoreça.

Sua energia eólica (ar) é imprescindível à saúde mental e emocional para nos dar o sentido correto de nosso caminho, de nossa missão traçada no plano espiritual. Com seu movimento e direcionamento nos abrimos ao novo, sabendo que caminho tomar nas questões do dia a dia, na busca de soluções rápidas, usando a inteligência de forma criativa para soluções de nossos problemas. Ela é o impulso do movimento universal, movimento em espiral que sobe e se relaciona com tudo. É o Orixá do tempo, atua em todas as dimensões e em todos os elementos, nas pedreiras, no mar, nas cachoeiras e nos ventos, envolvendo todos os sentidos e direções, relacionando-se com todos esses elementos naturais: a água, sob a forma de chuva, de tempestade; o ar, sob a forma do vento da tempestade, que arranca árvores, derruba casas.

Conta outra lenda que foi o vento de Iansã que espalhou as plantas medicinais, anteriormente guardadas pro OSSAIN (Orixá) numa cabaça. Ligada à floresta, ela se transforma num búfalo, cervo ou elefante. Propicia a caça abundante. Mas sua essência é o movimento e o fogo, é o Orixá do raio que desencadeia o incêndio que tanto pode destruir como renovar para que nova vida surja mais vigorosa. Esta relação com o movimento e o fogo faz de Iansã uma divindade que aquece e ascende os sentidos do sexo, do amor, do desejo, das paixões, do ciúme, da sensualidade.

Iansã comanda a falange dos boiadeiros e dos baianos.

É festejada em 04 de dezembro, sendo sincretizada com Santa Bárbara. Seu dia é quarta-feira, sua cor na Umbanda é o amarelo. Sua erva é a folha de bambu, suas flores são as palmas e rosas amarelas. Os banhos de seus filhos são com espada de Santa Bárbara, folhas de bambu, folhas de pitangueira, cordão de frade, gerânio, angélica, cipó cruz, carobinha, capim santo, espinheira santa. Seus Instrumentos: Erexim (chicote com crina de cavalo para espantar os eguns), punhal ou espada curta (com lâmina em forma de raio), taça.

As filhas de Iansã são dotadas de talentos e serão as mais feridas por seus semelhantes, pois ficam muito expostas por serem muito transparentes. Vivem por suas idéias e seus ideais, são obstinadas, aguerridas, são extrovertidas, rápidas como o vento em seus pensamentos e ações, não fogem de demandas, são destemidas e também um pouco inconseqüentes. Tem grande senso de justiça, não temem o perigo. São impulsivas, lutam contra o preconceito, os hipócritas, combatem as injustiças. São donas de uma sensualidade exuberante. Seu lado negativo é o fato de não admitir seus erros. Quando erra se sente fragilizada, tem dificuldade de pedir perdão e para se sentir redimida do erro, usam de justificativas não justificáveis. Não gosta de ser contestada, contrariada, de sentir-se pressionada e desrespeitada. São amigas de todas as horas. Mostram-se sempre fortes e se cobram muito.

Texto preparado e redigido por Rossana Di Natale com a colaboração de Carlos Feitosa, Médiuns do Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde.

“Os elementos regidos por Iansã, o vento, as chuvas e os raios, representam a sua força, seu poder, sua sabedoria e sua energia. São os ventos que levam das árvores as folhas velhas, é ele que faz o fruto maduro cair do pé e é esse mesmo vento que, depois que o fruto se abre, espalha as sementes. São as chuvas que mantém a água do mundo em movimento, é através dela que a água que evapora da terra pela energia dos raios de luz retorna a Terra. Através dos raios, traz toda sua energia a terra, e sua força é capaz de modificar relevos, dividindo montanhas e terras, mudando a forma como sempre foi. Essa é a força de Iansã e é com sua luz e estímulo que espíritos conseguem afastar deles tudo aquilo que não serve mais e faz todo o aprendizado dessa vida dar os frutos, amadurecer e dividir com outros. Ela mantém o movimento e a renovação constante da energia como as águas das chuvas e consegue remodelar até o mais antigo espírito.”

Palavras proferida pela Cabocla Jurema através da Médium Renata G Costa, do Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde.