• Seja bem vindo !

    Este site foi criado com o objetivo de divulgar a Umbanda e seus ensinamentos, atingindo não apenas os que frequentam nosso Templo, mas todos que se interessarem pela religião. Aqui você encontrará textos sobre rituais e normas de nossa Casa, reflexões da nossa Mentora, preleções das Entidades Chefes, temas desenvolvidos por médiuns da Corrente e de Saúde e Medicina Espiritual. Leia Mais
  • Nosso Livro

    O livro "Mensageiros da Espiritualidade" traz relatos ditados pelas Entidades Chefes e pela Mentora Espiritual do Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde, em um manifesto aos seus filhos, frequentadores e à humanidade, sobre os preceitos e conduta que regem a Umbanda Sagrada nos dias atuais... Leia Mais
  • Conheça nossa página do FaceBook

    https://www.facebook.com/Templo-Espiritual-De-Umbanda-Caboclo-Pena-Verde-212423025776472/ Leia Mais

Mediunidade: Descubra a Sua, por Ricardo Moreno, 06/11/2011

DESENVOLVER A MEDIUNIDADE É DESENVOLVER A SENSIBILIDADE.

Assim começo a explicar o porquê dessa exposição.

Muito se diz a respeito de desenvolvimento de entidades. Muito se ouve, desde quando se inicia a frequentar um Templo de Umbanda, a respeito de incorporação. Logo alguém pergunta se já incorporou, se já sentiu alguma “vibração” ou alguma “energia”.

 

 

Se já pensou em incorporar, se já se imaginou incorporado, se já tentou... Alguns ainda “sugerem” iniciar o desenvolvimento da incorporação. Porém, infelizmente, essas mesmas pessoas que “sugerem”, não aconselham os novos intergrantes da Casa a desenvolverem a mediunidade de fato, ou seja, a sensibilidade.

INCORPORAÇÃO

Primeiramente, deve-se esclarecer o conceito de incorporação: o médium não incorpora, ele é incorporado. O médium é um ser humano, portanto um espírito encarnado em uma matéria, em um corpo físico.

Em um outro texto escrevi:

“ “Encarnar”... já refletiu sobre o poder dessa palavra? Leia diferente: “Fazer-se carne, Homem, ser humano”. É isso que você é de verdade, um espírito que se faz presente em um corpo (a carne), que através de sua consciênica é capaz de acumular erros e lições, os quais são traduzidos em aprendizados que servirão de alicerce para sua evolução. Por isso que “errar é humano”, errar é fazer parte do ciclo evolutivo, desde que esse equívoco seja visto como um aprendizado. Caso contrário, a pessoa entrará na segunda parte do dito popular, que diz que “persistir é burrice”(ou algo do tipo). Dar constância ao erro é na verdade uma representação de ausência de reflexão sobre seus atos, ou seja, sinal de desconsideração àquilo que o difere dos demais animais, os quais vivem apenas de instinto de sobrevivência, é uma tradução do abandono de sua consciência, é a marca da estagnação do processo de evolução espiritual.”

Portanto, dizer que o médium incorporou seria afirmar que ele assumiu o controle sobre uma outra matéria além do prórpio corpo e, assim sendo, ao falar sobre incorporação não se deve dizer que “o médium incorporou a entidade”, e sim que “a entidade incorporou no médium”. Trata-se de uma ação de união, junção de energias, em que a entidade ganha um corpo, toma conta e tem domínio direto sob algo material. A entidade é um espírito, ou seja, uma energia, a qual não possui uma forma definida, quão menos alguma posição material no ambiente, mas sim um campo energético, vibratório que através da matéria humana consegue se manifestar de diversas formas. Ao incorporar, então, a entidade assume o comando material do médium: a fala, a escuta, o toque, o caminhar, o dançar...

Contudo, elas herdam as características e traços da falange ou da linha espiritual que escolheram fazer parte, com o consenso e benção da Força Maior, Oxalá, no plano superior a nós, como guia de orientação e condução de sua evolução, sendo orientadas por espíritos mais evoluídos e que da mesma linha compartilham, além, é claro, por Oxalá.

Exemplificando a explicação acima temos o Preto-Velho, que ao incorporar assume o comando da matéria do médium, adquirindo postura de uma pessoa idosa, com o corpo encurvado, tronco fletido, andar devagar, além da fala típica dos “velhos pretos” da senzala, em um tom de voz ameno e com dificuldade em pronunciar algumas palavras dos “tempos modernos”. Os Baianos, por sua vez, ao incorporarem assumem uma postura mais extrovertida, alegre, dançam, gesticulam mais. E assim por diante, tendo cada uma das Linhas as suas características próprias.

Portanto, desenvolver a incorporação é desenvolver a entrega de sua matéria a um outro espírito, o qual irá incorporar em sua matéria, em seu corpo físico, para que através dele possa se manifestar. Evidentemente que ao ceder sua matéria às Entidades, o seu espírito se mantém na matéria, ele não se desliga dela de maneira alguma, porém ele deixa de ter comando sobre os atos.

Assimilando o fato de seu espírito não se desligar da matéria, tem-se os seguintes tipos de médiuns:

  • Conscientes
  • Semi-conscientes
  • Inconscientes

Os médiuns conscientes são aqueles que, após a entidade desincorporar, lembram-se de tudo o que foi falado pela entidade, guardam em sua memória aquilo que aconteceu durante os trabalhos de maneira quase que integral. Em palavras mais simples poderia-se dizer que seria como se o médium estivesse acompanhando todo o período de consulta e de trabalho e guardando em sua memória os eventos envolvidos. 

Os semi-conscientes, por sua vez, ao serem desincorporados, lembram-se apenas de relances, de alguns momentos do período em que a entidade esteve incorporada em sua matéria; nesse caso, alguns momentos do período de trabalho passam como flashes em sua mente, como lembranças pontuais e isoladas da consulta. 

Já os médiuns de incorporação que são inconscientes não se lembram de nada do que foi feito durante os trabalhos e consultas, de nenhuma fala, dança, diálogo, enfim, de nada; novamente utilizando de uma linguagem mais simples, seria como se o médium estivesse dormindo durante todo o período de trabalho, isento de qualquer tipo de lembrança do que ocorreu a partir do momento em que a incorporaçõa da entidade se consolidou, até seu total desligamento da matéira, a desincorporação. O fator determinante que define em qual desses três tipos de médium de incoporação você se enquadra foi ora uma imposição feita por Oxalá, ora uma escolha de seu espírito ainda no plano espiritual (escolha essa que deve receber o respaldo de Oxalá), baseando-se em sua missão em terra e em seu esperado propósito dentro da espiritualidade.

Evidentemente, e isso qualquer um que frequenta um Templo de Umbanda sabe, que aquele que trabalha com incorporação é um médium. Mas, e isso nem todos sabem, é que ser médium não se restringe apenas a esse tipo de integrante da Casa. 

SER MÉDIUM

Outro ponto que ainda sofre com estereótipos criados pelo ser humano é o de que médium é somente aquele que trabalha com entidades incorporadas. De maneira alguma isso é uma verdade. O médium é aquele que trabalha com a espiritualidade, de modo que há diversas maneiras de se expressar sua mediunidade.

Veja bem, um cambone é um médium de apoio, ele trabalha com a espiritualidade, ele pratica a Umbanda; o Ogã é um médium que manifesta sua mediunidade através da música, do canto, do toque do atabaque, ele transmite sua energia às Entidades e Orixás através da música; o médium que trabalha com incorporação foi destinado a lidar com Entidades e Orixás através da incorporação deles, exercendo assim sua mediunidade. Enfim, há diversas maneiras de se manifestar sua mediunidade em um Templo de Umbanda.

O verdadeiro médium é aquele que pratica a Umbanda, pratica a Espiritualidade de forma sincera, pondo à vista de todos sua real sensibilidade a cerca da vida!

Deixe sua sensibilidade espiritual se manifestar em você! Permita-se sentir! Permita-se viver! Permita-se ser Umbandista, sentindo cada energia que ao seu redor está dia a dia. Abra-se a suas Entidades e Orixás! Manifeste-se! Volte para dentro de si e responda a você mesmo: “o que estou fazendo aqui?”.

Sua sensibilidade é sua mediunidade. Melhor: SUAS SENSIBILIDADES SÃO SUA MEDIUNIDADE!

Não só de incorporação vive a Umbanda. Entidades incorporadas, por si só, não fundamentam uma gira na Umbanda. É preciso mais, é preciso a sensibilidade de um cambone em cumprir suas tarefas com maestria; é preciso o aflorar da mediunidade dos Ogãs para que a música se transforme em energia e atinja a todos os espíritos que no Templo estão, encarnados ou não; é preciso a sensibilidade mediúnica da Mãe de Santo em conduzir uma abertura, na qual suas entidades NÃO estão incorporadas; é preciso a sensibilidade de cada médium em se conscientizar de seu posicionamento e função durante toda a gira, incluindo a abertura...

A Umbanda tem fundamento, o qual se concretiza com a conscientização da sensibilidade de cada um de nós.

Pratique a Umbanda constantemente e deixe os conceitos da Espiritualidade de Oxalá tomar conta de você. Somente assim você sentirá os sentidos dá vida e conseguirá dar valor e sentido aos seus sentimentos...

Entenda o que você é e o porquê está aqui. Descubra-te a ti mesmo e verás o quão forte é sua mediunidade.

MEDIUNIDADE: VOCÊ TEM A SUA, BASTA DESCUBRÍ-LA!