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Curso para iniciação aos conceitos de Ogãs e corrente de Ogãs

Curso para iniciação aos conceitos de Ogãs, Corrente Ogã e na pratica de percussão através do toque do Atabaque e Canto, dentro das diretrizes do TEUCPV.

 Introdução

       Esse Curso tem a finalidade de dar noções e/ou aprimorar conhecimentos de preparo e iniciação em uma Corrente Ogã, e uso de instrumentos de percussão (Atabaque)  dentro do contexto maior da Corrente principal e dos trabalhos desenvolvidos pela mesma em um Templo de Umbanda. 

Dentro desse Curso iremos dar noções mais avançadas do que é uma Corrente Ogã, os conceitos do que é e, de como um Ogã deve exercer seu papel em Corrente e individualmente. O sentido e a importância do Ogã e seu Atabaque, a conduta, disciplina, hierarquia na Corrente Ogã e na Corrente principal e como são regidos espiritualmente.

 

A finalidade e o conceito do uso do Atabaque, a ligação deste instrumento com a espiritualidade, sua origem e quais tipos de Atabaque são utilizados dentro dos rituais realizados pelo Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde, cuja forma e características podem diferir de outros Templos e Casas Umbandistas em alguns aspectos. Trataremos das diferenças entre os Atabaque, como são suas afinações e dos cuidados que devem receber de seus Ogãs ou daqueles que dele faz uso mesmo fora de uma Corrente ou de um Templo. 

Esse Curso não tem como finalidade formar um Ogã ou um percussionista no Atabaque, mas dar as noções que com o interesse, pratica, estudo e tempo, poderá despertar o maior talento de cada um. Serão mostrados todos os fundamentos que dá ao Ogã a aptidão de poder, a partir de sua desenvoltura, da postura e conduta, bem como dos cuidados material, pessoal, mediúnico e espiritual, exercer seu papel dentro da Corrente, servindo somente como uma referencia aos aprendizes.

 

Ogãs

          Médiuns em desenvolvimento na Linha Ogã, pois esta atividade requer preparo e aprimoramento e constante, para o continuo melhoramento no desempenho das atividades a eles designadas para a Abertura de uma Gira e todo eventos em Corrente Espiritual promovidos pelo Templo, dando sustentação ao inicio dos trabalhos ou na condução do mesmo se assim for exigido. Esta sustentação ou condução de trabalhos é feita através do toque dos Atabaques e do canto dos Pontos em evocação aos Orixás e Entidades. O Ogã tem por obrigação e responsabilidade manter o equilíbrio energético da Corrente em qualquer circunstância. Manter-se totalmente focados e concentrados na execução das batidas e da chamadas dos Pontos, devem estar atentos as vibrações da Corrente e sintonizados para com isso poder compensar eventuais desvios, aclamando cada Ponto com a desenvoltura necessária. Evitar conversas, distrações, brincadeiras que possam perturbar o equilíbrio da Corrente Ogã. A Corrente Ogã e direta e proximamente regida por Mentores e Mestres Ogãs Espirituais, espíritos que já exerceram este papel em Terra e que atingiram graus de evolução espiritual que da a eles aptidão e qualidades para esta regência. Deve-se justamente a sua presença o equilíbrio, sintonia e sustentação espiritual da atividade Ogã, e muitas vezes buscando compensar perda de concentração ou eventual desequilíbrio de algum Ogã da Corrente, interferem inclusive na aceleração energética imposta ao toque e ao canto. Assim agem por serem agentes diretos dos chamados e da recepção aos Orixás e Entidades, sendo de sua responsabilidade a condução e o assentamento de forma plena e a mais adequada possível destes Orixás e Entidades nas Correntes, seja ela de Direita ou Esquerda. São responsáveis diretos por manter a vibração necessária e suficiente dos Médiuns da Corrente, para que possa haver a manifestação imantada ou incorporada de Espíritos do quilate de luz de um Orixá ou de uma Entidade de Comando do Templo e dos Trabalhos.  O desvio, desequilíbrio ou desatenção de um Ogã, pode comprometer a manifestação de um destes Espíritos de Luz, e tirar o melhor equilíbrio da Corrente e dos trabalhos. É claro que esta responsabilidade e postura são também de cada um dos Médium da Corrente, e quando isso é bem forte e sincronizado, percebe-se primeiramente pela manifestação do Orixá ou da Entidade através da Mãe de Santo. 

É de responsabilidade também do Ogã, os cuidados e preservação de seus Atabaques, de seus Ojás de proteção da Coroa, de suas Guias e fitas, que representam a ligação do Médium Ogã com a Corrente de trabalho Ogã, e caso se desligue desta incumbência, deve devolver a fita a sua Mentora/Babá.

 Os Ogãs, são Filhos de Santo como os demais, cuja incumbência é o clamor e louvor aos Orixás e Entidades, através do cântico e toque dos atabaques, são Médiuns que devem ter em sua conduta, comportamento, zelo e cuidados mediúnico e pessoal, assiduidade e firmeza espiritual com velas, que antecede aos trabalhos, uma postura que passe ao Líder Espiritual do Templo, ao Comando Espiritual e a própria regência espiritual Ogã a segurança necessária para que estejam todos tranquilos quanto a qualidade do trabalho e aos resultados a serem alcançados.  

A principal característica do Ogã, sério, firme, compenetrado, humilde, que conduz seu trabalho com simplicidade sem vaidades e auto exaltação, é a capacidade mediúnica intuitiva que nele é despertada, por obra dos próprios Mentores e Mestres Ogãs, em razão da maior e mais apurada sintonia que se estabelece entre eles. Cada Ogã e regido por um Mentor ou Mestre Ogã dependendo de seu maior ou menor desenvolvimento mediúnico e de sua consciência espiritual.  Isso os torna um melhor canal, aberto para o melhor clamor as Linhas Orixás e de Entidades de trabalho em qualquer Templo de Umbanda. Esse clamor aos Orixás e Entidades aclama também os Espíritos de apoio aos trabalhos, espíritos auxiliares que estão inseridos nas Correntes, por permissão dos Comandos Espirituais do Templo, que desempenham atividades de  “bastidores” quando solicitados, sem qualquer necessidade de incorporação ou se colocarem como “linha de frente” nos trabalhos espirituais. Formam uma Corrente paralela, porém totalmente sincronizadas com as Entidades de Trabalho da Corrente, antes, durante e depois dos trabalhos executados no Terreiro, em sua extensão no Santuário ou na praia. 

Estes espíritos atuam por suas habilidades nas diferentes Correntes do Templo e auxiliam também no paralelo com os Mentores e Mestres Ogãs, nos toques e cantos dos pontos, auxiliam no movimento das energias vibratória de cada Médium e da Corrente desde as Firmezas do Templo bem antes da Abertura. Contribuem também na disseminação da energia Ogã por todo o ambiente. Os Ogãs são regidos e intuídos unicamente por seus Mentores e Mestres.  A Corrente Ogã, desde que esteja bem estruturada e bem equilibrada na seriedade e concentração de seus integrantes, bem sintonizada com seus Mentores e Mestres Ogãs, pode ter a força de quebrar qualquer energia negativa que possa prejudicar o andamento de uma Gira ou qualquer outro evento de ordem espiritual.

A Corrente Ogã firme e bem estruturada é parte fundamental para a formação de todas as Corrente de trabalho de um Templo. A Corrente Ogã e seus regentes, falam pelos Orixás e atuam como instrumentos da espiritualidade de pura vibração, é fundamento ritualístico que da sustentação a todo trabalho espiritual onde o clamor aos Orixás e Entidades seja necessário. A Corrente Ogã exalta toda a comunidade espiritual na formação e emissão de ondas energéticas de grande positividade através do som dos Atabaques e dos Pontos cantados, onde os Pontos sinalizam cada uma das emanações de Luz e energia dos Orixás e Entidades, distribuído-as por todas as Correntes de trabalho, atividades ou rituais do Templo, onde melhor elas se apliquem. 

Desta forma acompanhados do toque do Atabaque ou não, temos Pontos para a Defumação, Abertura das Giras, reverencia de cabeça, chamada dos Orixás e Entidades, assim como para sua partida, chamada das Entidades Chefes para a iniciação dos trabalhos de atendimento aos consulentes, chamada as Entidades de trabalho da Corrente e fechamento da Gira. 

Os pontos cantados exercem uma certa magia de alto poder influenciador que se traduz em um maior equilíbrio e positividade dentro da Corrente de trabalho despertando mediunicamente cada filho.

 Os Ogãs devem ser profundos conhecedores dos cantos praticados pelo Templo no qual atua, rezas e fundamentos de cada Entidade e Orixá das linhas de trabalho, tem em sua faculdade mediúnica o dom de movimento de energias levando maior entusiasmo, empolgação, bons fluidos, alegria e concentração, buscando atrair de forma vibrante a participação de todos, estimulando um maior sentimento de participação disciplinada, despertando o senso de solidariedade, respeito e colaboração.

 

 Nos atuais conceitos e inovações instituídas na Umbanda as mulheres também podem ser Ogãs da mesma forma que o homem. O titulo de Ogã originou-se nos Terreiros do Candomblé baiano, desde seus primórdios, onde apenas o homem poderia exercer a função de Ogã. Porém com o melhor refinamento espiritual e avanço da Umbanda que prima por igualdade de direitos e deveres, principalmente no âmbito e na pratica religiosa, a mulher que no Candomblé não era permitido o toque do Atabaque e o titulo de Ogã, por questões dogmáticas da religião que devem ser respeitadas, atribuíam esta não permissão ao fato da mulher menstruar, engravidar, e pelos cuidados com os filhos. 

Logo ao nascimento da Umbanda havia também estes impedimentos, porém com sua evolução tais dogmas e conceitos caíram por terra. A mulher da Umbanda atual exerce também seus papeis mediúnicos nas Correntes de Descarrego, mesmo menstruada ou amamentando, esta limitação não e mais da Umbanda, pode ser da própria mulher ou de dirigentes em Terra de Templos e Casas de Umbanda.

 

 Ter sempre comportamento sério, obediente, comprometido e respeitoso com a Mãe de Santo, Entidades Chefes, com o Pai Pequeno e todas as Entidades que dependem da Corrente Ogã para a perfeita vibração da Corrente de trabalho. Deve manter concentração total e jamais fazer comentários ou estabelecer conversas paralelas durante a Abertura, mesmo no intervalo dos Pontos.

 Estar sempre em sintonia com a Mãe de Santo, o Pai Pequeno e aos Ponteiros, atentos a seus movimentos na indicação de eventual interferência, atento a todo movimento da Gira e a tudo que transcorre na Corrente em termos de vibração e energia, que pode ser compensada com a maior vibração no toque e do canto. 

Não cabe ao Ogã a observação de falhas, cabe a ele elevar o tom dos Atabaques e entonação dos Pontos quando necessário, quebrando assim desvios e qualquer ação negativa. Portanto a atenção e concentração em sua atividade é ponto fundamental. Não é de competência do Ogã comentários mesmo posteriores, de nenhuma ordem, julgando, criticando ou condenando comportamentos de quem quer que seja, sua responsabilidade e o equilíbrio vibracional da Corrente. 

Ter consciência de que a função de Ogã tem todo um fator mediúnico próprio de cada Médium Ogã, e que deve ser respeitado por seu significado e pela relação espiritual exercida, pelo próprio Médium e por todos os integrantes da Corrente Ogã. Cada Ogã, assim como cada Médium de uma Corrente tem características individuais, são digitais espirituais únicas, que se conciliam durante os trabalhos espirituais de um Templo, e que devem se conciliar mesmo fora dele. 

Deve saber que seu Atabaque e dos demais são instrumentos de ação e atuação espiritual, geradores de energia e deve ser tratados como algo  sagrado, pois estão lá para a atração das forças vitais dos Orixás e Entidades. Cada Atabaque é cruzado e pontuado em um laço de compromisso e unidade pela Entidade de Comando do Templo, Cabocla Jurema o que dá ao Ogã maior responsabilidade no trato do mesmo. Ele deverá estar sempre envolto e protegidos com capas, mostrando através do Ponto símbolo, sua relação com o Templo no qual é utilizado. Seu couro (sua coroa) deve ser protegido com o Ojá com o nome do respectivo Ogã. Ninguém além dele poderá tocá-lo principalmente em sua coroa, de nenhuma forma e nem dele se utilizar dentro ou fora do Terreiro para qualquer fim fora das atividades do Templo. Deve protegê-lo com reverencia e responsabilidade, cabendo a cada Ogã preservá-lo, conservando-o em perfeita ordem. 

Uma vez que o Ogã responsável pelo Atabaque realize qualquer reforma ou atividade de manutenção, o mesmo deverá ser novamente cruzado pela Entidade de Comando. É de responsabilidade de cada Ogã o transporte de seu Atabaque, bem protegido e em segurança, quando da realização de atividades fora do Templo onde se faça necessário seu uso (por exemplo: Homenagem a Iemanjá).  Cabe também a cada Ogã da mesma forma que é feito no Templo os cuidados com o seu Atabaque no Santuário, pois é o mesmo instrumento de evocação espiritual extensão do que é utilizado no Templo, assim como o Terreiro do Santuário é uma extensão do Terreiro do Templo. E deve ser cruzado pela Entidade de Comando da mesma forma. 

 Quando da saída de um Ogã, o Atabaque deverá ser descruzado, mantido limpo até que um novo Ogã seja iniciado. Será feito uma nova cerimônia de cruzamento do Atabaque junto ao Ogã que o assumirá.

Todo Atabaque seja do Templo ou do Santuário, cuja condição não permita mais seu uso, deverá ser descruzado e entregue no Cruzeiro do Santuário pelo Ogã responsável por ele.

 Após os trabalhos de Abertura da Gira, quando possível, necessário, disponível e tenha sido solicitado para isso, pode auxiliar os irmãos da Corrente, em desenvolvimento através do canto, firmando as energias necessárias, para que este de passagem às suas Entidades, sem que isso se torne uma rotina, ou seja, por uma maior proximidade com o Médium em desenvolvimento.

          

A Umbanda agregou a sua linha de trabalho, manifestações espirituais e evocação energética positiva, assim como na aplicação de energias que bloqueia e desestabiliza o mal e o negativo, que absorve a mente humana, a musicalidade que se tornou um dos propulsores de grande importância em seus rituais, com seus Pontos, suas cantigas e toques dos Atabaques, que nos arremetem a um maior estreitamento com o plano espiritual fazendo com que sejamos mais fortemente integrados a energia dos planos espirituais. Esta musicalidade é parte da composição da Umbanda desde seu surgimento, é um componente de seu DNA bem vivo em sua memória e estará sempre estampada em suas tradições religiosa e doutrinaria. Isso considerado é importante que cada Ogãs busquem um nível de excelência, priorizando também a harmonia e o refinamento musical. Ogã esta sempre em desenvolvimento, mediúnico, espiritual e pessoal, como todos os Filhos do Templo. 

 É dever também de cada Ogã, assim como de todos os Médiuns filhos do Templo, o conhecimento e a pratica disciplinada e irrestrita das Normas Gerais dos Filhos do Templo, Normas Gerais dos Médiuns de Consulta, Descarrego e Linha Médica. As Atividades dos Cambones e das Normas Gerais da Assistência, todas são de extrema importância e exige que todos as conheçam profundamente, ou seja, são complementos de suas obrigações.

 

Atabaque

Como sabemos, a Umbanda é uma Religião Brasileira, nascida em 15 de 

novembro de 1908, através da anunciação feita pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas, através do Médium Zélio Fernandino de Morais.

Nesse período, a Umbanda não fazia uso dos Atabaques em cultos abertos. Isso pode ser explicado por dois motivos. 

 

O primeiro é um motivo histórico. Em 1908 a abolição da escravatura ainda era muito recente e existia naquele tempo um total preconceito ou melhor, abominação, acerca dos elementos, cultos, seitas e praticas religiosas de origem africana. Para se ter ideia, o simples toque do Atabaque poderia motivar a perseguição, a prisão de uma pessoa ou sua morte, a destruição e queima dos locais onde os cultos eram realizados, em alguns casos execração publica dos Lideres religiosos e seus seguidores. 

Por isso era razoável que a nova religião que ali se iniciava não fosse exposta a esses riscos, sendo denunciada pelo toque dos tambores. Porém o mesmo era feito em meio a natureza, nas matas, ou em locais bem isolados longe dos olhos e ouvidos de seus perseguidores. Inicialmente, antes inclusive da existência do próprio Atabaque, o toque era feito em troncos de arvores ocos caídos no solo da mata, ou de improviso nas restingas ou na região de mangues ao longo do litoral próximo ao mar, porém não visíveis. 

 

O segundo motivo era de ordem espiritual psicológica. O toque do atabaque poderia e pode levar alguns Médiuns a um momento de êxtase, de transe inconsciente, fazendo com que o Médium fique totalmente tomado e perca todo contato com a realidade que o cerca, limita-se a seu profundo entusiasmo, perdendo-se ai o sentido de seu papel no contexto ritualístico. Isso é parecido com o que ocorre com músicos ou vocalistas de bandas de Rock, levando-os a atitudes descontrolada, jogando-se, muitas vezes ferindo-se ou destruindo seus equipamentos, dopados pelas suas próprias energias introspectivas, perdendo o contato com o ambiente que o cerca e total perda do bom senso racional. 

Tal manifestação fere o objetivo religioso e espiritual, dando vazão para que energias de ordem negativas de vândalos espirituais se abriguem neste mesmo transe, trazendo grandes prejuízos para todos. 

Este tipo de comportamento em sua maioria involuntário, não ajuda em nada o desenvolvimento mediúnico, muito pelo contrario, definha mediunicamente o Médium, afastando dele seus Mentores, Mestres e Entidades que por ventura o acompanhem nas atividades espirituais. 

Com as objeções impostas e os riscos que poderiam trazer o toque do Atabaque, criou-se e incentivou-se na época, na Umbanda com muito mais ênfase e energia vibratória os cantos e as batidas de palmas que passou a ser elemento fundamental nas rodas dos cultos nos Terreiros, e essa forma é parte da vibração da Corrente até os dias de hoje. A medida que as perseguições foram sendo amenizadas ou combatidas muito mais pela persistência e força de reação dos próprios umbandistas, do que por leis de preservação de seus direitos, o Atabaque foi sendo inserido gradualmente na liturgia da Umbanda, mas com características próprias, diferente da praticada pelo Candomblé que ainda faz uso do mesmo nos ritos ainda muito arraigado nas praticas das nações africanas, o toque do Atabaque evoca os Orixás no intuito de os fazer através dos Médiuns, chamados “Feitos” de seus Terreiros para a dançar nas rodas de manifestação ritualística ou cerimoniais. Na Umbanda, o toque do Atabaque acompanhados pelos Pontos, da mesma forma na evocação de Orixás e Entidades no objetivo de assenta-los na Corrente de trabalho,  na exaltação vibratória do ambiente, da Corrente e dos Médiuns que a compõe, na sustentação dos elementos e espiritualidade de guarda e proteção da Corrente, espiritualidade de trabalho em todas as Correntes do Templo. 

 

Cabe a cada Ogã através do toque refinado de seu Atabaque, feito com respeito, amor e responsabilidade, sem excitações exacerbadas, ou indiferença  do paludismo mediúnico, desassociado do ambiente e da importância de seu papel,  criar um ambiente propício para o vigor vibratório na chamada das Entidades de luz, que vêm em auxílio dos necessitados. Mas antes disso, deve junto a todos os Médiuns da Corrente, estabelecer o fluxo vibratório inerente a uma Corrente de Médiuns umbandistas. 

A Umbanda, assim como toda a espiritualidade e puro movimento e ação fluídica energética, é movimento incessante, continuo, não admite energia estática de Médiuns desatentos, postes mediúnicos sem ação sem atuação, Não adianta se enclausurar em suas meditações unilaterais, sem participação, de vibração apática, pois não estão contribuindo em nada com a energia que se deve ter do começo ao fim de todo o trabalho espiritual do Templo que esta sendo realizado. 

O movimento reforça o fluir das energias, tornando-as mais intensas, criando barreiras para qualquer influencia invasora, tornado-se força de extração  das instabilidades do Médiuns trazidos de dentro ou de seu convívio externo. Na exaltação de energias positivas, benéficas, ao processo espiritual em andamento, em formação. A atitude demonstrada por sua manifestação física, canto, palmas, olhos abertos olhando seus irmãos, sua Líder espiritual em sua meditação não egoísta e consciente naquele momento, a cada Orixá ou Entidade evocada. Na passagem imantada ou incorporada dos Orixás, permitindo que Eles depositem em diferentes pontos da Corrente e do Templo a sua força, necessária para aquele dia, para aqueles trabalhos, dos quais somente Eles e Entidades possuem a visão antecipada e estabelecem a maior ou menor intensidade do fluir energético durante a Abertura e posteriormente durante toda a Gira. 

Todas as providencias que antecedem aos trabalhos são tomadas por Orixás e Entidades de Comando do Templo, durante as Aberturas, por isso qualquer prejuízo a ela poder gerar trabalhos e atendimentos de baixa qualidade ou mesmo interferências indesejáveis. 

O movimento que deve compor a Corrente mediúnica e espiritual de um Templo e dos trabalhos realizados por ele é exaustivamente anunciado quando da manifestação dos Orixás, quando desenvolvem seus próprios movimentos em espírito ou através da imantação ou incorporação dos Médiuns em pontos estratégicos. 

Orixá não se manifesta inerte ou sentado, a não ser por impossibilidade do Médium, mas mesmo assim expressa algum movimento que diz da sua presença. E tudo isso é desencadeado pelo toque do atabaque e pelo cantar dos Pontos, a Umbanda tem isso em sua concepção espiritual como forma de ajustes, em cadeia de todos os pontos de atuação dentro do Templo, convergindo todas as forças no sentido espiritual da ação a partir do espírito, para o espírito, em pró do espírito. 

 

          O atabaque é um Instrumento em forma de tambor utilizado pelos Ogãs durante os cânticos de chamada dos Orixás e Entidades. Além dos atributos naturais que o compõe, como a madeira, o couro e o metal, tem nele outro atributos adormecidos, como a energia vibratória, a entonação que favorece a frequência em sua tonalidade, através do tecido orgânico de seu couro, necessária para a celebração das Giras e demais ritos, nas evocações espirituais, estes valores são despertados a partir da benção e do cruzamento deste Atabaque com o Ogã que o ira executar, pela Entidade de Comando do Templo, no nosso caso a Cabocla Jurema.  

 

Descrevendo mais as características de um Atabaque utilizado no Terreiro de um Templo umbandistas, estes trazem três, que diríamos mais em uso, são eles, o Rum, Rumpi e Lê, nomenclaturas também trazidas do Candomblé de raízes africanas.

 

O Rum é o Atabaque maior com som mais grave, é o Atabaque responsável em puxar o toque do Ponto que está sendo cantado, no Rum ficaria o Ogã responsável pela alternância do toques e suas variações. Ogã que executa o Rum também é responsável usando das características de percussão sonora deste instrumento em dobrar ou repicar o toque para que não fique um som repetitivo.

 

O Rumpi seria o segundo Atabaque maior, tendo como importância responder na sequencia ao Atabaque Rum.

 

O Lê seria o terceiro Atabaque onde fica o Ogã, ainda de menor expressão da Corrente Ogã, por ainda não ter a desenvoltura nos cânticos e batidas dos Ogã mais experientes, ou por estar se iniciando como aprendiz, este segue no acompanhamento do Atabaque Rumpi.

 

Não necessariamente isso ocorre desta forma dentro dos Templos e Casas de Umbanda, dependem muito do que se tem como instrumento disponível, ou por não haver esta conduta definida. 

 

Existem muitos toques e variações de toques, isso por conta das diferentes opções adotadas por diferentes Terreiros de Candomblés vindo de suas linhas de afinidade com nações africanas, keto, jeje, angola, essas três nações são as mais conhecidas e que predominam no Brasil. 

Em alguns Terreiros de Candomblé oriundos de algumas nações africanas, para cada Orixá se tem um Ogã especifico e um toque especifico, em outro, além do toque a cada Orixá, existe também um toque que representa uma determinada festividade ou uma dança especifica, como dança guerreira, danças para as Yabás ou uma dança de agradecimento. 

Na Umbanda não se usa tantos toques, porém isso vai de Terreiro para Terreiro, dependo ainda de sua maior proximidade com os ritos do Candomblé. Os toques mais usados na Umbanda são, barra-vento, ijexa, congo, cabula ou samba cabula nagô e angola, ainda por forte influencia dos toque do Candomblé, mas como no caso dos Atabaques, não necessariamente são usados nos ritos e praticas umbandistas. 

 

Dentre as obrigações já aferidas aos Ogãs, acrescenta-se o cuidado de cada um na afinação do instrumento, que caso não saiba deverá aprender, e realiza-la antes do início da Gira. Ao final da Gira ou ritual sempre soltar levemente o couro não precisa afrouxar totalmente, isso é necessário, principalmente se o Atabaque não tenha um uso constante. E preciso fazer a limpeza e conservação do couro permitindo assim uma maior durabilidade, não pode ser feita com pano molhado ou úmido, deve-se fazer com um pano seco e em seguida aplicar azeite de dendê, e logo depois levar ao sol para secar e ajustar o couro, o calor do sol ajuda na afinação, as vezes até dispensa o aperto com chaves. 

 Outros cuidados que se deve ter com os Atabaques são posturais, uso de bom senso e respeito, pelos próprios Ogãs e demais filhos da Corrente ou qualquer outra pessoa.

- Não apoiar os cotovelos e nem debruçar no Atabaque.

- Não usar o Atabaque como apoio para qualquer coisa, como, bolsas e outros utensílios.

- Aos intervalos das Giras, mantê-los cobertos e protegidos.

- Não deixe qualquer um colocar a mão na coroa do Atabaque (tem que ser pessoas da Corrente, caso esteja auxiliando na manutenção ou outros cuidados).

 

 

Cantos de evocação aos Orixás e Entidades e homenagens a celebridades do Templo

 

          É o conjunto de vozes que executam os Pontos dos Orixás, Entidades ou em homenagem a pessoas que exercem ou exerceram papel de relevante significância dentro do Templo, ligados diretamente a sua historia. As vozes e Pontos estão associado ao toque dos Atabaques e a batida de palmas. É formada por Ogãs que tocam e cantam, e por todos os Médiuns, formadores da Corrente do Templo, que auxiliam no acompanhamento aos cânticos, na composição da Corrente, contribuindo energética e vibracionalmente de forma organizada, disciplinada com a Abertura e sequência dos trabalhos. Esta contribuição pode ser muito maior e mais intensa quando acompanhada de palmas e na execução mais vigorosa dos Pontos. 

 

O termo Curimba já em desuso em muitos Templos e Casas de Umbanda, não constando nem dos mais conhecidos dicionários, também originário do Candomblé, é justamente o conjunto das vozes e cânticos mencionados acima.  

No silencio dos Atabaques, as palmas e cânticos são da mesma forma os responsáveis pela sustentação vibracional do ritual, conduzidos pelos Ogãs, e caso estes tenham que atender a alguma outra ação dentro da Corrente que lhe impossibilite o canto e o toque, esta responsabilidade passa a ser de todos os Médiuns que deve assumi-la de imediato. 

Em realidade os Pontos cantados equivalem-se, medidas as diferenças entre suas aplicações, aos mantras, são verdadeiras preces coletivas que no caso da Umbanda, aclamam da mesma forma espíritos de luz de atuação nos trabalhos. 

São também em sua similaridade, rogativas que dinamizam, potencializam forças da natureza e cósmicas, permitindo uma maior sintonia através de um contato mais profundamente íntimo com as potências espirituais que nos regem. 

          Existe toda uma magia por trás dos cânticos, toda uma musicalidade entoada que quando executada com cada vez maior frequência, conhecimento, amor, fé e racionalidade, provoca através das ondas sonoras, a atração, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais, cósmicas, que estarão sempre presentes em nossas vidas dentro e fora do Templo.

          Os Pontos devem ser entoados da forma correta, e lúcida, sem displicência, sem brincadeiras ou descaso, pois se tratando de um Ponto, marca do clamor e presença de um Orixá ou mesmo Entidade de luz, constitui-se um grande desrespeito, um desagravo para com um ser espiritual de muito maior luz do que possa ter todos os integrantes de uma Corrente mediúnica juntos. Por isso da ainda maior responsabilidade por parte de um Ogã.