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Mestre ou Aprendiz?

 

Quando somos escolhidos a vestir o branco para servirmos a espiritualidade num Terreiro de Umbanda deveríamos estar prontos a responder a um chamado que com certeza nos foi proposto há tempos, e que por vezes nos negamos a atender por diferentes motivos. Alguns destes chamados são feitos em resposta a vidas errantes que tivemos em tempos passados, em outras encarnações, que foram voltadas para o exercício da maldade, da mentira, do orgulho e dos vícios, e apesar de todos estes deslizes a espiritualidade viu em nós a possibilidade de um caminho contrário, viu em nós e/ou em nossas Entidades a possibilidade de usando dos erros e falhas cometidas e superadas, poder ajudar aqueles que delas precisam sair.

Este chamado também é feito com o propósito de uma missão comum a Médium e Entidade no encaminhamento do ideal espiritual na humanidade, no mundo dos encarnados e desencarnados. Muitos outros podem ser os objetivos do chamado, pois sempre haverá algum, ninguém, nenhum espírito e chamado a uma missão espiritual, principalmente dentro de um Templo de Umbanda, sem que haja um real propósito.

Quando estamos comprometidos com a nossa fé, de corações e a mente em busca pela transformação de nossa essência e na evolução de nossas almas, nossos espíritos, já será o maior passo em direção ao que a espiritualidade nos destina.

Mas até que ponto estou preparado para o “servir”? O meu comportamento tem sido de aprendiz? Ou minha postura enaltece minha vaidade, meu Ego? Será que já me considero mestre? Que sei tudo e não preciso de nada além daquilo que meu Ego permite que eu enxergue? Que me revolto e perco a paciência e os bons modos quando sou chamado atenção por alguma falha, por um comportamento inadequado, com repudio a uma orientação ou a um irmão que me alerta sobre um erro ou um equivoco que esteja cometendo, como se eu fosse isento de erros, intocável em minha sabedoria ilusória que não permite que pudesse cometê-los, e logo a meu ver estou dentro da espiritualidade há 20 ou 30 anos e conheço tudo, sei tudo e não tenho mais nada aprender. Se está for minha postura, estou cometendo um grande e absurdo engano, um grande e absurdo erro, pois ao invés de procurar melhorar ou conversar sobre isso com humildade com meu Pai Pequeno, minha Mãe de Santo ou mesmo um Irmão de fé, me dou o direito de calar-me na minha ignorância, perdendo assim uma grande oportunidade de poder subir mais um degrau na minha ainda tão pequena evolução.

Quando somos chamados ao branco da Umbanda, não estamos sendo credenciados como mestres, muito pelo contrário, estamos sendo chamados como aprendizes. Está nos sendo dada a oportunidade de iniciarmos nosso aprendizado na prática de uma religião comprometida com a doutrina, com a orientação, o ensinamento e o crescer do espírito, estamos sendo chamados como alunos no ingresso a escola da espiritualidade. De alguma forma no conjunto de nossos méritos fomos aprovados no vestibular do espírito.

Somos tão somente aprendizes e assim seremos passem quantos anos passarem, quantas vidas passarem, e se com a humildade do aprendiz, cumprirmos nosso papel, poderemos ser credenciados à passar o pouco que pudermos assimilar para os mais novos. De qualquer forma seremos sempre aprendizes na orientação e no encaminhamento destes jovens.

Ser aprendiz na Umbanda é estar aberto para todo conhecimento que nos é passado, através das Entidades de Luz que nos cercam, por nossos irmãos, pelos consulentes, em meio a nossa família, em nossa casa, em nosso trabalho, através de pessoas que nem conhecemos e que por vezes não damos a menor importância e, que poderiam fazer uma grande diferença, mas principalmente no saber interpretar os ensinamentos que vem de nossas frustrações, dificuldades, dores e dissabores.

É na sensibilidade limpa e na conexão com os Orixás e suas energias divinas, que preenchemos nossas almas, nos fortalecemos e revigoramos em espíritos, recebemos  a seiva da vida que nos reanima no dia-a-dia, a cada dia.

É saber que sabemos muito pouco, quase nada e precisamos aprender e aprender mais e mais a cada dia, a cada instante.

É descobrir que repartir e absorver humildemente o saber nos faz mais próximos do irmão e resgata em nós a condição de filhos da mesma origem.

Dá-nos humilde simplicidade para quando falharmos começarmos de novo, com mais vontade, determinação e certeza de que não estamos sozinhos, que temos outras companhias de grande luz, também interessadas no sucesso de nossa jornada. Que temos a força e proteção de um Templo e uma Mãe de Santo sempre na nossa retaguarda, nos amparando a cada tropeço e nos apoiando a cada conquista.

O caminho não é fácil, requer paciência, dedicação, estudo e, sobretudo respeito à nossa religião e seus preceitos, respeito ao irmão necessitado que precise de atenção e esclarecimento. Respeito no lidar com o propósito da Mediunidade, com as Entidades e Orixás. Respeito com os pontos de equilíbrio e firmeza, regras e normas de um Templo de Umbanda. Respeito por nós mesmos e confiança de que o caminho é trabalhoso, porém gratificante e através dele estaremos cumprindo nossa missão, resgatando nossos carmas e evoluindo nossas almas que refletirão toda luz e o amor que vem da maior fonte divina, que é Oxalá!

Vamos deixar transbordar dentro de nós a vontade de sermos eternos humildes aprendizes na incansável busca do aprimoramento de nossos espíritos.

 

Texto criado por Rossana Di Natale, Médium do Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde, com o apoio de Carlos Feitosa, Médium do mesmo Templo em, 29/07/2012.