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Afinal, o que é a tão falada Evolução Espiritual?

Sempre lemos ou ouvimos falar dentro de nosso Templo as expressões “evolução espiritual”, “aprimoramento de nossos espíritos”, “reforma íntima”. A pergunta que me faço é se todos que estão lá já se perguntaram ou refletiram a respeito do significado delas. O que é propriamente a evolução espiritual? Como sabermos se estamos ou não no caminho de nosso aprimoramento? O que de fato se quer dizer com reforma íntima? Penso que essas perguntas não possuem respostas certas e absolutas, mas sim abrem para possibilidades de reflexão, de questionamentos e, principalmente, de vivências de sensações.

Um início para tal reflexão seria a respeito dos motivos de estarmos trabalhando em um Templo de Umbanda. Por que será que a Espiritualidade nos reservou essa missão? E melhor, com quais objetivos nos tornamos Médiuns? Uma resposta simplista, mas que não deixa de ser verdadeira, para esse tipo de questionamento seria a primeira resposta que vem à nossa cabeça: para ajudarmos o próximo, e dessa forma, aprendermos e evoluirmos em nossas missões. Ajudar ao próximo e evoluirmos. Para mim, esses dois termos são realmente inseparáveis e carentes de reflexões constantes, que muitas vezes passam despercebidas e ficam apenas em um plano superficial e não elaborado.

Ajudar ao próximo através da doação de meu corpo para que os Mentores e Entidades de Luz possam transmitir; àqueles que necessitam; suas energias e mensagens. Ajudar ao próximo através das orientações e esclarecimentos dos fundamentos da Umbanda e do funcionamento do Terreiro. Ajudar ao próximo no auxílio aos consulentes à realização concreta dos pedidos e orientações das Entidades. Ajudar ao próximo na organização e limpeza do local de trabalho espiritual. Ajudar ao próximo realizando todos os nossos afazeres e obrigações espirituais para estarmos limpos e aptos energeticamente à realização da melhor Gira possível. Ajudar ao próximo através de nossa contribuição na composição e harmonia da Corrente. Ajudar ao próximo através do respeito à hierarquia e regras da Casa.

Sim, tudo isso faz de nós pessoas comprometidas com a religião que escolhemos e com a Casa que trabalhamos, faz de nós Médiuns de uma Corrente. Mas será que isso faz de nós verdadeiros Umbandistas? Será que a Umbanda se resume ao que ocorre dentro de um Terreiro, por algumas horas de nossa semana? Acredito que não. Sem dúvidas alcançamos nossa evolução espiritual através de nossos trabalhos espirituais, seja qual for nosso papel dentro do Terreiro. Sim, evoluímos a cada Gira, a cada Santuário, a cada evento espiritual nos quais estamos comprometidos, de coração e alma abertos para a verdadeira caridade e doação. Entretanto, em minha opinião, essa evolução corresponderia a um décimo do que chamamos evolução. De que adianta vestir branco, dedicar 5 horas em uma semana de 168, ter o dom da incorporação, ou mesmo ter o dom de ajudar, de qualquer forma, àqueles que frequentam o Terreiro, e no dia seguinte, retornar à “vida terrena”, levantar e levar a mesma vida que sempre se levou, se comportar da mesma forma que sempre se comportou, pensar da mesma forma que sempre pensou? Uma pessoa assim, para mim, não é umbandista.

Ser umbandista é incorporar. Não incorporar um Mentor de Luz, mas incorporar os fundamentos da Umbanda a si próprio e àqueles que estão a nossa volta. O que fazemos em uma Gira conta e muito, mas o que mais conta é o que ocorre fora dela. A Umbanda não veio a esse mundo para ficar aprisionada dentro de quatro paredes. Ela veio para ser expandida, transbordada. E como isso é possível? Através de nós, Médiuns de um Terreiro, através de nosso comportamento fora de nossas “obrigações espirituais”, é quando “ninguém está vendo” que isso ocorre. Ninguém no sentido material, pois a Espiritualidade sempre nos enxerga e acompanha.

Portanto, penso que o imprescindível é a transformação e mudança que concretizamos em nós mesmos e naqueles que nos rodeiam, através de nossos pensamentos, palavras e ações diárias. Quando digo aqueles que nos rodeiam não significa somente aos nossos círculos de familiares e amigos, mas principalmente àqueles que são totalmente estranhos a nós. Qual a nossa atitude perante eles? Como respondemos ao encontro com aqueles que desconhecemos? O que pensamos dele? Será que realmente os enxergamos?

Amor, dedicação, paciência, discernimento, paz, comprometimento, doação, justiça, força, fé, equilíbrio, caridade. Algumas das palavras-chave para qualquer umbandista, ensinamento das forças de nossos queridos Orixás, mensagens de todas as nossas Entidades. Uma pergunta que me faço: será que levamos isso para nossas vidas e nossos relacionamentos com os outros, ou será que são meramente mensagens para àqueles que vão à busca de nosso Terreiro e nada temos a ver com elas?

A maioria dos Médiuns de incorporação são conscientes ou semi conscientes, alguém já se perguntou o motivo disso? Por que será que quando desincorporamos lembramos-nos de algumas mensagens?

A tão falada reforma íntima. Estamos ali para aprender e transformar. Nenhum aprendizado se concretiza se não é transmutado em mudanças interiores e exteriores. De que adianta aprender no plano intelectual e nada fazer com isso? Se estamos aqui, temos um motivo para tal. Se continuamos estagnados, nenhuma evolução alcançaremos. Mas, se nos movimentarmos rumo à aplicação do que tanto aprendemos e pregamos aí sim começaremos a nos aproximar de um real aprimoramento de nossos espíritos. E como realizar essa aplicação? Simples, porém complexo. Simples, porque é apenas colocar na prática aquilo que pregamos aos consulentes toda semana. Complexo, porque não estamos habituados e tudo o que já fazemos se torna natural para nós e é sempre mais fácil de ser realizado do que aquilo que é o novo, o não habitual. Uma palavra, um gesto, um olhar, um sorriso, uma mão estirada. O quanto conseguimos realizar esses atos no nosso dia-a-dia? Na pressa de nosso mundo contemporâneo, na competitividade de nosso mundo capitalista, na correria de cada um no que se refere à sua vida, seu trabalho, suas funções, sua casa. Nesse contexto, é sempre mais fácil ou menos trabalhoso não nos importarmos muito com quem está ao nosso lado, com aquela pessoa que passa por nós em nosso dia, às vezes tão despercebida, às vezes tão invisível, que nem ao menos nos lembramos dela, nem sequer nos damos conta que ali estava uma oportunidade em ser umbandista.

Ser umbandista ao levantar e agradecer por estar vivo mais um dia, ser umbandista ao começar o dia pensando nas oportunidades que haverão de ser feliz e de fazer alguém feliz, nem que seja por um minuto, ser umbandista a distribuir sorrisos e auxílios a qualquer um, ser umbandista nas palavras, nos gestos, nos pensamentos e nas atitudes. Ser umbandista em relação a si próprio, sabendo respeitar seus desejos e anseios, vontades e limites, saber respeitar ao próximo, sem se importar com a sua idade, sexo, raça, estrato social. Ser umbandista na ética de viver, de saber viver, de entender a dádiva da vida que nos foi dada, não por acaso, mas para cumprirmos missões e para aprendermos a cada dia a sermos pessoas melhores, a praticarmos os fundamentos de nossa religião.

É claro que somos humanos, cheios de conflitos, angústias, desejos e ambições, é claro que vivemos em um mundo turbulento, cheio de desigualdades e interesses antagônicos. É claro que acordaremos de mau humor, com preguiça, com desesperança. Claro que seremos mal educados alguns momentos, rancorosos em outros, até maldosos em alguns. E tudo isso faz parte. Faz parte porque somos humanos e estamos aqui para justamente sentirmos tudo isso. Mas também (e esse é o passo que alguns esquecem tão facilmente) estamos aqui para nos transformar e naquilo que possível, dentro de nossos limites, ajudar nas transformações dos outros também. Aprender com aquela briga, com aquele desentendimento, com aquela sensação ruim, com aquele mau humor. Esse é o segundo passo, estar em movimento, buscar se aprimorar, mesmo que de pouquinho em pouquinho, mesmo se de três passos voltarem dois, mas o mais importante, não deixar de tentar. Movimentar-se em direção à vida, conseguir enxergar nosso bem mais precioso e fazer o melhor proveito disso, no nosso relacionamento conosco mesmo e no nosso relacionamento com os nossos irmãos.

Para mim, isso é evolução.

Texto escrito por Isadora Nobre, Médium do Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde em 13/10/2013.